quarta-feira, 25 de março de 2009
sexta-feira, 20 de março de 2009
Dia 7 - longo caminho de volta
Acordamos logo cedo, tomamos um bom café oferecido pelo hotel Rivera - o melhor de toda a viagem - e partimos de carro pra ver mais um pouco de Colonia com luz do sol. Nos dirigimos até a antiga Plaza de Toros, onde se realizavam as touradas. O lugar é bacana, como uma versão reduzida do Coliseu, mas infelizmente a entrada é proibida. O prédio foi condenado e pode cair a qualquer momento.
Fizemos um caminho na beira da praia, cheio de casas bonitas, mostrando o lado mais rico da cidade e que a mesma tem diversas atrações além do já citado centro histórico. É legal ver que o Prata do lado de cá é mais limpo e bonito do que do lado de Buenos Aires. Aos poucos nos despedimos desta agradável cidade (e surpresa) e tomamos a rota em direção a Montevideo.
Por engano tomamos uma rota de praias, o que acabou sendo uma opção legal e diferente do que já havíamos visto na vinda. Depois de algumas horas, acabamos chegando na capital e em razão desta nova rota, nos escapamos da correria e de nos perdermos como 7 dias antes. Logo na entrada vimos placas sinalizando o caminho em direção a Punta del Este e seguimos esse rumo. foi um caminho um pouco mais longo, mas valeu muito a pena, pois costeamos toda a cidade por uma belíssima avenida beira-mar.
Saindo da cidade, seguimos rumo até Punta Ballena. No meio do caminho, uma parada pra comemorar os primeiros 100mil km rodados do golzinho 2000. Pouco antes de Punta Ballena, tem um mirante muito bacana que merece uma parada. Alguns minutos depois estávamos em frente à famosa Casa Pueblo construida pelo artista plástico uruguaio Carlos Páez Vilaró. A casa foi toda construida com ajuda do povo local e é simplesmente uma viagem. A arquitetura é uma loucura, e a casa imensa se divide em vários pedaços. Eu e a Leandra entramos, por 12 reais cada um, na parte que é o museu com várias obras do artista, que salvo algumas exceções, não achei nada de grandioso, apesar do artista ter cultivado uma amizade com o Picasso.
O problema é que o museu é pequeno e usa menos de 1/3 da casa, que definitivamente é a atração principal. Portanto, recomendo muito mais que se entre no restaurante do hotel, que fica na segunda entrada - onde paga-se quase o mesmo valor, mas é consumação que pode dar um belo desconto numa refeição, ou que seja, numa cerveja. O restaurante fica lá embaixo e o visitante deve descer por toda a casa para chegar lá. Como já estávamos curtos de grana, ficamos só com o museu mesmo.
Visita rápida, tomamos o carro e partimos em direção a Punta del Este. A idéia era passar de carro rapidamente pela praia, mas pra variar, me perdi de novo. Rodamos um bocado pelo belíssimo e imenso balneário de Maldonado. Paramos pra tirar muitas fotos e vimos muitas casas de milionários. Perder-se numa viagem às vezes pode ser uma coisa legal... é chato ter tudo planejado. Legal é dar espaço pros imprevistos, pois são estes que acabam sendo as melhores lembranças. Mesmo com isso em mente, eu sempre acabo me estressando, especialmente quando dirigindo... meus acessos de "seu Roberto" que a Leandra que tem que aturar.
Finalmente descobrimos a saída, mas já era tarde e resolvemos "almoçar". Sem muitas opções, tive que me render ao fast food - mas McDonald's jamais! Comemos no Burger King e, tenho que reconhecer, fiquei impressionado com o tamanho do maldito whopper... Saímos com o carro em direção à rota informada. Achamos que havíamos entendido tudo certo, mas realmente nosso portunhol não foi suficiente. Mais uma vez tivemos muitas surpresas. Cruzamos uma série de praias cujo nome já não lembro e pra retornar à rota rumo ao Chui, tomamos uma última saída em estrada de chão.
Finalmente, tomamos a rota 9 e assim, seguimos caminho de volta pra Pelotas, onde nos aguardava a Felicia, linda e num sono tranquilo que não tivemos nem coragem de interromper.
E assim terminou a nossa pequena jornada de uma semana, num ótimo carnaval sem samba, graças a deus.
Fizemos um caminho na beira da praia, cheio de casas bonitas, mostrando o lado mais rico da cidade e que a mesma tem diversas atrações além do já citado centro histórico. É legal ver que o Prata do lado de cá é mais limpo e bonito do que do lado de Buenos Aires. Aos poucos nos despedimos desta agradável cidade (e surpresa) e tomamos a rota em direção a Montevideo.
Por engano tomamos uma rota de praias, o que acabou sendo uma opção legal e diferente do que já havíamos visto na vinda. Depois de algumas horas, acabamos chegando na capital e em razão desta nova rota, nos escapamos da correria e de nos perdermos como 7 dias antes. Logo na entrada vimos placas sinalizando o caminho em direção a Punta del Este e seguimos esse rumo. foi um caminho um pouco mais longo, mas valeu muito a pena, pois costeamos toda a cidade por uma belíssima avenida beira-mar.
Saindo da cidade, seguimos rumo até Punta Ballena. No meio do caminho, uma parada pra comemorar os primeiros 100mil km rodados do golzinho 2000. Pouco antes de Punta Ballena, tem um mirante muito bacana que merece uma parada. Alguns minutos depois estávamos em frente à famosa Casa Pueblo construida pelo artista plástico uruguaio Carlos Páez Vilaró. A casa foi toda construida com ajuda do povo local e é simplesmente uma viagem. A arquitetura é uma loucura, e a casa imensa se divide em vários pedaços. Eu e a Leandra entramos, por 12 reais cada um, na parte que é o museu com várias obras do artista, que salvo algumas exceções, não achei nada de grandioso, apesar do artista ter cultivado uma amizade com o Picasso.
O problema é que o museu é pequeno e usa menos de 1/3 da casa, que definitivamente é a atração principal. Portanto, recomendo muito mais que se entre no restaurante do hotel, que fica na segunda entrada - onde paga-se quase o mesmo valor, mas é consumação que pode dar um belo desconto numa refeição, ou que seja, numa cerveja. O restaurante fica lá embaixo e o visitante deve descer por toda a casa para chegar lá. Como já estávamos curtos de grana, ficamos só com o museu mesmo.
Visita rápida, tomamos o carro e partimos em direção a Punta del Este. A idéia era passar de carro rapidamente pela praia, mas pra variar, me perdi de novo. Rodamos um bocado pelo belíssimo e imenso balneário de Maldonado. Paramos pra tirar muitas fotos e vimos muitas casas de milionários. Perder-se numa viagem às vezes pode ser uma coisa legal... é chato ter tudo planejado. Legal é dar espaço pros imprevistos, pois são estes que acabam sendo as melhores lembranças. Mesmo com isso em mente, eu sempre acabo me estressando, especialmente quando dirigindo... meus acessos de "seu Roberto" que a Leandra que tem que aturar.
Finalmente descobrimos a saída, mas já era tarde e resolvemos "almoçar". Sem muitas opções, tive que me render ao fast food - mas McDonald's jamais! Comemos no Burger King e, tenho que reconhecer, fiquei impressionado com o tamanho do maldito whopper... Saímos com o carro em direção à rota informada. Achamos que havíamos entendido tudo certo, mas realmente nosso portunhol não foi suficiente. Mais uma vez tivemos muitas surpresas. Cruzamos uma série de praias cujo nome já não lembro e pra retornar à rota rumo ao Chui, tomamos uma última saída em estrada de chão.Finalmente, tomamos a rota 9 e assim, seguimos caminho de volta pra Pelotas, onde nos aguardava a Felicia, linda e num sono tranquilo que não tivemos nem coragem de interromper.
E assim terminou a nossa pequena jornada de uma semana, num ótimo carnaval sem samba, graças a deus.
segunda-feira, 16 de março de 2009
Dia 6 - adios mi buenos aires querido
Ultimo dia, acordei bem cedo e fui correndo até um cyber pra comprar a passagem do buque de volta pra Colônia. Fiz todo o processo, mas já na internet vi que meu cartão de crédito seguia com problemas. Voltei pro hotel e acordei a Leandra pra tomarmos café e resolver duma vez o problema.
Fizemos o checkout no hotel e tentei pagar novamente com o cartão, que sabe-se lá a razão, foi aceito numa boa. Deixamos nossas malas no balcão para buscar mais tarde e partimos a pé em direção ao centro.
No caminho, muito sem querer, encontramos a famosa Manzana de las Luces, da qual já havíamos ouvido falar mas nem cogitávamos uma visita. Mas como estava no caminho, entramos para conhecer. Muita sorte. O lugar construido pelos jesuítas tem muita história e um belo mercado de antiguidades. O prédio contém passagens subterrâneas por onde os jesuítas levavam ouro e outros materiais preciosos para as embarações rumo à espanha, mas uinfelizmente devido ao horário, não pudemos fazer esse tour.
Seguimos caminhada e chegando à Calle Florida fomos direto na agência do Banco do Brasil. Dessa vez chegamos a tempo e fomos atendido por um funcionário que me explicou que para usar o cartão internacional, precisaria ser desbloqueado com antecedência. Fiquei puto, pois ainda em Porto Alegre, quando fomos comprar a carta verde, o funcionário da agência da Goethe me disse que não precisava de nenhum processo - "se o cartão é internacional, é só sacar". Otário! O funcionário me explicou também que sem desbloqueio pode-se sacar até 300 reais antes de travar o funcionamento do cartão. Por sorte, o processo foi feito rápido e em menos de 5 minutos tudo estava solucionado.
Voltamos até a galeria pacífico onde no dia anterior haviamos esquecido algumas sacolas na mesa onde almoçamos. Infelizmente ninguém achou a sacola e acabamos passando em algumas lojas pra comprar tudo de novo. Almoçamos e fomos em direção ao terminal do buque.
Chegando lá, muitas filas e a confirmação de que a passagem que eu havia reservado pela internet não estava disponível por causa do problema do cartão de crédito. Mas como há males que vem para o bem, novamente demos sorte. Na internet só haviam passagens de 1ª classe disponíveis, mas no terminal ainda existiam as econômicas. Compramos os tickets para o buque veloz que saía de BsAs no final da tarde.
Já moídos de tanta correria e dos vários dias caminhando, voltamos até nosso hotel e sentamos pelo sofá no saguão para descansar e aguardar. Ficamos ali mais de meia hora e ainda demos um pulo nas lojas de artigos de design de San Telmo. Depois disso, pegamos nossas malas e fomos novamente para o terminal, agora de taxi. No caminho, fomos nos despedindo de tão bela cidade, passando pelo puerto madeiro, agora num lindo dia de sol, fazendo promessas de lá retornar em breve.
O processo de embarque foi tranquilo e logo já estávamos no buque. Desta vez viajamos sentados e em silencio, apreciando o horizonte e o movimento das ondas.
Chegando em Colonia do Sacramento, fomos até o estacionamento buscar o golzinho. Total de 40 reais, saiu barato pra manter o carro seguro durante esses dias - e nem sentimos falta dele. Saímos da garagem e resolvemos dar uma volta pra conhecer a cidade, antes de finalmente partir rumo a Montevideo. O centro "normal" é bem legal, mas também não foi o que nos chamou mais atenção. Tem um charme de cidade pequena, pessoas sentadas na frente de casa domando mate.
Compramos uns queijos maravilhosos numa casa especializada e tinhamos algumas torradinhas e atum guardados no carro, que a Leandra deixou especialmente pra momentos de aperto. Fomos procurar um lugar bom pra farofar. Andando em direção ao centro histórico, cada vez mais fomos nos apaixonando pelas pequena cidade. Ruas estreitas, algumas com o calçamento original e casas dos tempos coloniais... parei o carro de frente para um trapiche e comemos sob as luzes que se refletiam na água.
Já satisfeitos, resolvemos descer do carro pra caminhar um pouco. A sensação de andar no centro histórico é de estar no século XVIII. Algumas ruas tem o calçamento tão antigo que nem é permitido o transito de veículos. Fomos descobrindo cada ruela e entramos em lugares sensacionais, todos bem direcionados para o turista que passa por Colônia uma noite antes de tomar o buque para a Argentina. Aposto que o turista que vem só pra dormir, sempre acaba ficando mais de um dia. Os bistrôs, todos com um clima muito europeu, têm um charme dificil de resistir. Tudo às voltas de ruínas de igrejas e antigas escolas jesuítas.
Gostamos tanto que desistimos de Montevideo e resolvemos procurar hotel para dormir lá mesmo. Buscamos basstante e encontramos um que parecia legal, mas não fizemos check-in. Já sabíamos onde iriamos ficar e acabamos relaxando. Entramos em uma rua onde estava acontecendo um carnaval de bairro, com um palco montado e uma banda tocando uma música caribenha muito massa. Não sei bem definir que estilo era aquele, mas foi muito legal ouvir os instrumentos de sopro e ver a alegria dos moradores simples daquela cidade. Ficamos ali assistindo e perdemos a noção da hora. Quando voltamos para o hotel, a bomba: apareceu outro cliente e ficou com o nosso quarto!
Lá fomos nós procurar tudo de novo. Chegamos em um hotel que só tinha quartos para 5 pessoas, mas como já era perto de 2 da manhã, o simpático atendente nos fez um belo desconto e acabamos ficando num quarto massa e enorme.
Foi ótimo ter ficado em Colônia e recomendo muito a cidade a todos que planejam uma ida a Buenos Aires. Já estávamos no "espírito do retorno" meio deprês e pensando no retorno à vida normal e nos surpreendemos com o que vimos.
Fizemos o checkout no hotel e tentei pagar novamente com o cartão, que sabe-se lá a razão, foi aceito numa boa. Deixamos nossas malas no balcão para buscar mais tarde e partimos a pé em direção ao centro.
No caminho, muito sem querer, encontramos a famosa Manzana de las Luces, da qual já havíamos ouvido falar mas nem cogitávamos uma visita. Mas como estava no caminho, entramos para conhecer. Muita sorte. O lugar construido pelos jesuítas tem muita história e um belo mercado de antiguidades. O prédio contém passagens subterrâneas por onde os jesuítas levavam ouro e outros materiais preciosos para as embarações rumo à espanha, mas uinfelizmente devido ao horário, não pudemos fazer esse tour.
Seguimos caminhada e chegando à Calle Florida fomos direto na agência do Banco do Brasil. Dessa vez chegamos a tempo e fomos atendido por um funcionário que me explicou que para usar o cartão internacional, precisaria ser desbloqueado com antecedência. Fiquei puto, pois ainda em Porto Alegre, quando fomos comprar a carta verde, o funcionário da agência da Goethe me disse que não precisava de nenhum processo - "se o cartão é internacional, é só sacar". Otário! O funcionário me explicou também que sem desbloqueio pode-se sacar até 300 reais antes de travar o funcionamento do cartão. Por sorte, o processo foi feito rápido e em menos de 5 minutos tudo estava solucionado.
Voltamos até a galeria pacífico onde no dia anterior haviamos esquecido algumas sacolas na mesa onde almoçamos. Infelizmente ninguém achou a sacola e acabamos passando em algumas lojas pra comprar tudo de novo. Almoçamos e fomos em direção ao terminal do buque.
Chegando lá, muitas filas e a confirmação de que a passagem que eu havia reservado pela internet não estava disponível por causa do problema do cartão de crédito. Mas como há males que vem para o bem, novamente demos sorte. Na internet só haviam passagens de 1ª classe disponíveis, mas no terminal ainda existiam as econômicas. Compramos os tickets para o buque veloz que saía de BsAs no final da tarde.Já moídos de tanta correria e dos vários dias caminhando, voltamos até nosso hotel e sentamos pelo sofá no saguão para descansar e aguardar. Ficamos ali mais de meia hora e ainda demos um pulo nas lojas de artigos de design de San Telmo. Depois disso, pegamos nossas malas e fomos novamente para o terminal, agora de taxi. No caminho, fomos nos despedindo de tão bela cidade, passando pelo puerto madeiro, agora num lindo dia de sol, fazendo promessas de lá retornar em breve.
O processo de embarque foi tranquilo e logo já estávamos no buque. Desta vez viajamos sentados e em silencio, apreciando o horizonte e o movimento das ondas.
Chegando em Colonia do Sacramento, fomos até o estacionamento buscar o golzinho. Total de 40 reais, saiu barato pra manter o carro seguro durante esses dias - e nem sentimos falta dele. Saímos da garagem e resolvemos dar uma volta pra conhecer a cidade, antes de finalmente partir rumo a Montevideo. O centro "normal" é bem legal, mas também não foi o que nos chamou mais atenção. Tem um charme de cidade pequena, pessoas sentadas na frente de casa domando mate.
Compramos uns queijos maravilhosos numa casa especializada e tinhamos algumas torradinhas e atum guardados no carro, que a Leandra deixou especialmente pra momentos de aperto. Fomos procurar um lugar bom pra farofar. Andando em direção ao centro histórico, cada vez mais fomos nos apaixonando pelas pequena cidade. Ruas estreitas, algumas com o calçamento original e casas dos tempos coloniais... parei o carro de frente para um trapiche e comemos sob as luzes que se refletiam na água.
Já satisfeitos, resolvemos descer do carro pra caminhar um pouco. A sensação de andar no centro histórico é de estar no século XVIII. Algumas ruas tem o calçamento tão antigo que nem é permitido o transito de veículos. Fomos descobrindo cada ruela e entramos em lugares sensacionais, todos bem direcionados para o turista que passa por Colônia uma noite antes de tomar o buque para a Argentina. Aposto que o turista que vem só pra dormir, sempre acaba ficando mais de um dia. Os bistrôs, todos com um clima muito europeu, têm um charme dificil de resistir. Tudo às voltas de ruínas de igrejas e antigas escolas jesuítas.
Gostamos tanto que desistimos de Montevideo e resolvemos procurar hotel para dormir lá mesmo. Buscamos basstante e encontramos um que parecia legal, mas não fizemos check-in. Já sabíamos onde iriamos ficar e acabamos relaxando. Entramos em uma rua onde estava acontecendo um carnaval de bairro, com um palco montado e uma banda tocando uma música caribenha muito massa. Não sei bem definir que estilo era aquele, mas foi muito legal ouvir os instrumentos de sopro e ver a alegria dos moradores simples daquela cidade. Ficamos ali assistindo e perdemos a noção da hora. Quando voltamos para o hotel, a bomba: apareceu outro cliente e ficou com o nosso quarto!Lá fomos nós procurar tudo de novo. Chegamos em um hotel que só tinha quartos para 5 pessoas, mas como já era perto de 2 da manhã, o simpático atendente nos fez um belo desconto e acabamos ficando num quarto massa e enorme.
Foi ótimo ter ficado em Colônia e recomendo muito a cidade a todos que planejam uma ida a Buenos Aires. Já estávamos no "espírito do retorno" meio deprês e pensando no retorno à vida normal e nos surpreendemos com o que vimos.
quinta-feira, 12 de março de 2009
Dia 5 - calle florida e sem grana
Acordamos cedo, novamente pra não perder o café. Depois do "desayuno" partimos a pé em direção ao centro para conhecer a famosa Calle Florida, uma espécie de rua das Andradas onde está grande parte do comércio da cidade. A caminhada de San Telmo até o centro é bem curta e em menos de uma hora se chega lá.
Era uma segunda-feria, e foi muito legal caminhar pelo centro sentindo o clima de Buenos Aires num típico dia de correria e trabalho. O movimento na rua florida é absurdo, muita gente se batendo e lojas sempre cheias. Entre as infinitas galerias espalhadas pelo centro, nos chamou a atenção a Galeria Mitre, que tem a entrada bem simples, com uma loja Falabela mas lá dentro revela-se um imenso shopping com uma moderníssima estrutura subterrânea. Entramos em diversas livrarias e lojas de bugigangas, até que fomos usar o cartão de crédito pela primeira vez naquele dia e tivemos acesso negado. Não conseguia sacar dinheiro e nem usar para qualquer tipo de compras. Sempre era "denegado".
Corremos até um cyber e conseguimos o endereço da agência do Banco do Brasil na cidade e fomos até lá. Pro nosso azar, as agencias internacionais do banco brasileiro fecham antes das 15hs e não conseguimos chegar a tempo. Tínhamos um pouco de dinheiro, suficiente para o dia todo, mas começava a me preocupar com o pagamento do hotel e do buque de volta para o Uruguai. Toda essa função só foi se resolver no dia seguinte.
Tentamos não nos preocupar demais com isso para curtir o resto do dia e seguimos caminhada em direção à famosa Galeria Pacífico. O magnífico prédio construido em 1891 foi concebido e claramente inspirado na Galleria Vittorio Emanuele II em Milão. É realmente impressionante a arquitetura e a beleza do lugar, coberto de afrescos e com centenas de lojas bacanas. Por azar, ou sorte, não tínhamos dinheiro e ficamos só olhando as vitrines.
"Almoçamos" na galeria (1 calzone para 2 pessoas por 30 pesos) e seguimos caminhada até a plaza San Martin, tida por muitos como o mais belo parque da cidade. O belo dia de sol ajudou muito e realmente, a praça é uma graça. Na mesma pode-se ver a torre dos ingleses, doação dos britânicos que mudou de nome após a guerra das Malvinas.
Dali pegamos o metrô, a melhor opção de locomoção na cidade, especialmente para longas distâncias e, novamente fomos ao Palermo. O bairro é muito charmoso, cheio de lojas e bares bacanas. Demos uma longa caminhada pelas ruas arborizadas e entramos em diversas lojas de roupas cheias de estilo típico dos portenhos. Compramos um refrigerante num mercado e rimos muito com a nossa falta de noção: a funcionária indicou onde poderíamos pegar os "sorvetes". Achamos que tinha sorvete de graça, mas não vimos nada. Saímos do mercado e só mais tarde fui perceber que ela se referia aos canudinhos. Dã.
Finalmente, entramos em um pub muito bacana em frente a plaza serrano, chamado Brujas. A decoração muito legal nos chamou a atenção e fomos entrando até o terraço, que honestamente era a parte menos interessante do resto bar. Tomamos uma Quilmes e ficamos por ali, curtindo nossas últimas horas em Palermo.
Eram mais de 10 da noite e resolvemos partir para tentar pegar a última linha do metrô para San Telmo, visto que não tinhamos muito dinheiro e já sabíamos que o taxi até lá sairia bem salgado. Corremos muito e chegamos "em cima do laço". Tanto que o caixa já estava fechando e nos deu passe livre. Fizemos uma rápida conexão e logo estávamos no hotel.
Lá, trocamos de roupa e decidimos sair para comer alguma coisa. Caminhamos pela volta do hotel e passamos por diversas opções bacanas nos mais variados valores para jantar. Ficamos com um bar muitíssimo legal chamado Sedóon, localizado bem na esquina da Defensa com a rua Chile. O bar tem um estilo difícil de definir, mas muito aconchegante. A música estava ótima, tocando desde Queen a Faith no More, com clipes rolando no telão. A comida também, muito boa e muito recomendada. Ali tomamos mais uns chopps e vinhos até o cansaço bater e voltarmos para o hotel descansar.
Era uma segunda-feria, e foi muito legal caminhar pelo centro sentindo o clima de Buenos Aires num típico dia de correria e trabalho. O movimento na rua florida é absurdo, muita gente se batendo e lojas sempre cheias. Entre as infinitas galerias espalhadas pelo centro, nos chamou a atenção a Galeria Mitre, que tem a entrada bem simples, com uma loja Falabela mas lá dentro revela-se um imenso shopping com uma moderníssima estrutura subterrânea. Entramos em diversas livrarias e lojas de bugigangas, até que fomos usar o cartão de crédito pela primeira vez naquele dia e tivemos acesso negado. Não conseguia sacar dinheiro e nem usar para qualquer tipo de compras. Sempre era "denegado".
Corremos até um cyber e conseguimos o endereço da agência do Banco do Brasil na cidade e fomos até lá. Pro nosso azar, as agencias internacionais do banco brasileiro fecham antes das 15hs e não conseguimos chegar a tempo. Tínhamos um pouco de dinheiro, suficiente para o dia todo, mas começava a me preocupar com o pagamento do hotel e do buque de volta para o Uruguai. Toda essa função só foi se resolver no dia seguinte.
Tentamos não nos preocupar demais com isso para curtir o resto do dia e seguimos caminhada em direção à famosa Galeria Pacífico. O magnífico prédio construido em 1891 foi concebido e claramente inspirado na Galleria Vittorio Emanuele II em Milão. É realmente impressionante a arquitetura e a beleza do lugar, coberto de afrescos e com centenas de lojas bacanas. Por azar, ou sorte, não tínhamos dinheiro e ficamos só olhando as vitrines.
"Almoçamos" na galeria (1 calzone para 2 pessoas por 30 pesos) e seguimos caminhada até a plaza San Martin, tida por muitos como o mais belo parque da cidade. O belo dia de sol ajudou muito e realmente, a praça é uma graça. Na mesma pode-se ver a torre dos ingleses, doação dos britânicos que mudou de nome após a guerra das Malvinas.Dali pegamos o metrô, a melhor opção de locomoção na cidade, especialmente para longas distâncias e, novamente fomos ao Palermo. O bairro é muito charmoso, cheio de lojas e bares bacanas. Demos uma longa caminhada pelas ruas arborizadas e entramos em diversas lojas de roupas cheias de estilo típico dos portenhos. Compramos um refrigerante num mercado e rimos muito com a nossa falta de noção: a funcionária indicou onde poderíamos pegar os "sorvetes". Achamos que tinha sorvete de graça, mas não vimos nada. Saímos do mercado e só mais tarde fui perceber que ela se referia aos canudinhos. Dã.
Finalmente, entramos em um pub muito bacana em frente a plaza serrano, chamado Brujas. A decoração muito legal nos chamou a atenção e fomos entrando até o terraço, que honestamente era a parte menos interessante do resto bar. Tomamos uma Quilmes e ficamos por ali, curtindo nossas últimas horas em Palermo.Eram mais de 10 da noite e resolvemos partir para tentar pegar a última linha do metrô para San Telmo, visto que não tinhamos muito dinheiro e já sabíamos que o taxi até lá sairia bem salgado. Corremos muito e chegamos "em cima do laço". Tanto que o caixa já estava fechando e nos deu passe livre. Fizemos uma rápida conexão e logo estávamos no hotel.
Lá, trocamos de roupa e decidimos sair para comer alguma coisa. Caminhamos pela volta do hotel e passamos por diversas opções bacanas nos mais variados valores para jantar. Ficamos com um bar muitíssimo legal chamado Sedóon, localizado bem na esquina da Defensa com a rua Chile. O bar tem um estilo difícil de definir, mas muito aconchegante. A música estava ótima, tocando desde Queen a Faith no More, com clipes rolando no telão. A comida também, muito boa e muito recomendada. Ali tomamos mais uns chopps e vinhos até o cansaço bater e voltarmos para o hotel descansar.
segunda-feira, 9 de março de 2009
Dia 4 - antiguidades, la boca e tango!
Acordamos pra tomar o café da manhã e em seguida saímos pra conhecer melhor o bairro onde ficava o nosso hotel. Soubemos pelo guia que todos os domingos rola uma feira de antiguidades em San Telmo que não dava pra perder. Ainda com um clima meio chuvoso, rumamos em direção à Defensa. As ruas estavam todas fechadas e o transito de turistas era intenso. Antes de chegarmos na feira, encontramos por acaso o Mercado de San Telmo, que vale muito à pena conhecer. Pra quem curte artigos antigos, é um barato. Saindo do mercado, creio que na própria Calle Defensa, tem uma loja cheia de artigos com designs sensacionais pra casa - luminárias do Lichtenstein e inspiradas em jogos do atari. A feira também é muito bacana - lembrou muito o Montmartre em Paris - com muitas obras de arte, musicos e bailarinos dançando tango sob a chuva.
O mais legal dessa volta, é sem dúvida o famoso Pátio dos Ezeiza. Pelo que a gente soube, os Ezeiza era uma família riquíssima e tradicional de BsAs que deu nome também ao seu aeroporto internacional. O tal pátio é o que foi a residência da família, num estilo de arquitetura parecido com o Grande Hotel de Pelotas, mas ao contrário de lá, o prédio foi muito bem aproveitado. Cada sala da antiga mansão se tornou uma lojinha de artigos de época, todas com suas portas voltadas para o pátio aberto e chão xadrez preto e branco.
O lugar é uma viagem no tempo, tanto é que acabamos entrando em um desses estabelecimentos especializado em reproduzir fotos de época. Uma sala com centenas de figurinos e um cenário típico de fotos antigas está à disposição para que possamos fazer fotos a caráter. Na parede, centenas destas mesmas fotos feitas por celebridades que visitaram a loja, como Antonio Banderas e Gal Costa. Os fotógrafos e figurinistas são extremamente simpáticos - notamos que fazem tudo com muitíssimo gosto - e realmente invejamos o trabalho desses caras. A Leandra queria uma roupa de melindrosa e um dos atendentes prontamente gritou faceiro, "ah, Charleston!" - como se fosse uma opção rara entre os clientes. A foto é tirada e impressa em sépia na hora... pra quem quer uma lembrança divertida de uma visita a Buenos Aires, vale muito à pena desembolsar os 50 pesos.
Feita a foto, sentamos pra tomar uma cerveja. Eisenbach é muito boa. Legal que em todos os lugares que fomos e tomamos uma gelada (nem tão gelada assim, porque isso é um costume mais nosso), sempre vem um acompanhante... amendoins, batatinhas chips, sanduiches. Desse modo se economiza muito tomando uma cerveja em cada bar diferente.
Encurtamos nossa passada pelo bairro meio a contragosto. San Telmo e a feira tem tanta coisa pra ver que se tu não te controla, perde fácil fácil umas boas horas em cada banca. Tentando aproveitar ao máximo nossa curta estada, tomamos um ônibus em direção a "la boca". Achamos que era bem tranquilo de ir a pé, mas todas as pessoas que nos deram informações, recomendaram-nos que não o fizéssemos. Disseram que a zona entre San Telmo e la Boca não era bonita, que era muito pobre e perigosa para turistas. O ônibus realmente cruzou algumas partes da cidade que certamente tem o que o governo argentino não faz a menor questão de mostrar. Passamos de longe pela "bombonera", mas como nem eu nem a Leandra gostamos de futebol, não fizemos questão de chegar mais perto.
Descemos na última parada, a algumas quadras do famoso "caminito". La Boca é uma parte muito interessante por todo o valor histórico do bairro. Imagens do Carlos Gardel estão espalhadas por todos os muros. Novamente, muitos quartetos tocando tango e bailarinos fazendo belíssimas performances em plena rua. O charme do local está nas casas coloridas construidas com chapas de zinco que lembram telhas brasilit. Pelo fato de ser um antigo porto, as casas eram construídas e pintadas com restos de materiais utilizados nas reformas e pinturas dos barcos. De uma forma geral, o caminito é uma espécie de "favela pra inglês ver". Tudo perfeitamente seguro e vigiado, as cores e espetáculos se apropriam da pobreza para fazer um atrativo diferente, especialmente pra turistas que vem de lugares ricos - apesar do canal ser podre de sujo e feder muito. Não conheço o Pelourinho na Bahia, mas acredito que existe uma certa semelhança nas duas propostas de vitalização de áreas urbanas.
O passeio no caminito é jogo rápido, em uma hora ou duas se vê tudo, a não ser que se queira gastar uma grana em lembrancinhas e traquitanas pra enfeitar a casa e dar de presente. Nesse caso é um prato cheio.
A fome já batia e nada do que víamos pra comer em la bocva parecia muito apetitoso. Tomamos o mesmo ônibus de volta para San Telmo, onde havíamos visto trocentas parrilladas bacanas, mas uma em especial, bem barata - 30 pesos por casal. Já lá dentro, resolvi perguntar o que vinha na tal parrillada, visto que a Leandra não tinha assim tanta curiosidade em conhecer as carnes "exóticas". O garçom antes de tudo me perguntou de onde eu vinha. Respondi e e ele fez questão de dizer que brasileiros raramente comem alguma coisa da parrillada por serem partes de cheiro e gosto muito fortes, como rim, intestino e outras coisas que tinham nomes estranhos e ninguém sabia me dizer o que eram em português. Decidimos simplificar e optamos por um pedaço de vacio, provoletas e uma massa ao pesto, que não estavam assim sensacionais, mas cumpriram seu papel.
Panças cheias, voltamos para o hotel. Lá demos uma descansada e por volta de dez horas da noite fomos ao belíssimo show de tango do "La Cumparsita", tradicional casa localisada na Calle Chile, nº 302 em San Telmo. Escolhemos esta casa justamente pelo fato do show não ser tando direcionado a turistas e não ter a característica de espetáculo à broadway, mas sim por ser um lugar onde os próprios argentinos iriam pra curtir boa musica e dançar. Os valores de todas as casas de tango que vimos ou lemos a respeito não eram nada baratos, e o La Cumparsita não era diferente. Pagamos 90 pesos para cada, com direito a escolher entre uma garrafa de vinho, uma de champagne ou duas cervejas "porrón" (long neck) para cada. Optamos pelas cervejas que vieram acompanhadas de sanduiches. O show acompanhado de janta e bebida à vontade, saía por 120 pesos por pessoa.
Apesar de tudo, digo que cada centavo vale a pena pra ver o pequeno grupo de músicos (piano, acordeon e contrabaixo) e os 3 "crooners" sensacionais - cada um de uma geração bem diferente e com seu estilo próprio. Lá pela terceira música, entrou o casal de bailarinos mostrando seus belíssimos passos. Eu já sabia que corria o risco de ter que participar, mas realmente não esperava que viessem tão rápido à nossa mesa. Convidaram-nos para aprender os passos básicos e eu com vergonha logo disse que não queria. Surpreso fiquei ao perceber que enquanto negava o convite, lá estava a Leandra girando pelo salão. Só mais adiante, depois de ver todos os visitantes da casa experimentarem, resolvi aceitar o convite e arriscar alguns passos. Nossa, como é difícil. Não consegui parar de olhar para os meus pés e os pés da moça que me conduzia cheia de firulas que mais atrapalhava do que ajudava. A Leandra dava risada porque dancei com ginga, meio brasileiro demais pra uma dança em que a postura é tudo.
De forma geral, a noite no Cumparsita foi muito massa e recomendo muito quem estiver em Buenos Aires que vá conhecer a casa. O show tinha previsão de rolar até por volta de 3 da manhã, mas lá pelas 2 tocaram algumas milongas e o cansaço bateu. Fomos tranquilamente a pé para o hotel, felizes pelo que foi o nosso dia mais corrido de toda a viagem.
O mais legal dessa volta, é sem dúvida o famoso Pátio dos Ezeiza. Pelo que a gente soube, os Ezeiza era uma família riquíssima e tradicional de BsAs que deu nome também ao seu aeroporto internacional. O tal pátio é o que foi a residência da família, num estilo de arquitetura parecido com o Grande Hotel de Pelotas, mas ao contrário de lá, o prédio foi muito bem aproveitado. Cada sala da antiga mansão se tornou uma lojinha de artigos de época, todas com suas portas voltadas para o pátio aberto e chão xadrez preto e branco.O lugar é uma viagem no tempo, tanto é que acabamos entrando em um desses estabelecimentos especializado em reproduzir fotos de época. Uma sala com centenas de figurinos e um cenário típico de fotos antigas está à disposição para que possamos fazer fotos a caráter. Na parede, centenas destas mesmas fotos feitas por celebridades que visitaram a loja, como Antonio Banderas e Gal Costa. Os fotógrafos e figurinistas são extremamente simpáticos - notamos que fazem tudo com muitíssimo gosto - e realmente invejamos o trabalho desses caras. A Leandra queria uma roupa de melindrosa e um dos atendentes prontamente gritou faceiro, "ah, Charleston!" - como se fosse uma opção rara entre os clientes. A foto é tirada e impressa em sépia na hora... pra quem quer uma lembrança divertida de uma visita a Buenos Aires, vale muito à pena desembolsar os 50 pesos.
Feita a foto, sentamos pra tomar uma cerveja. Eisenbach é muito boa. Legal que em todos os lugares que fomos e tomamos uma gelada (nem tão gelada assim, porque isso é um costume mais nosso), sempre vem um acompanhante... amendoins, batatinhas chips, sanduiches. Desse modo se economiza muito tomando uma cerveja em cada bar diferente.Encurtamos nossa passada pelo bairro meio a contragosto. San Telmo e a feira tem tanta coisa pra ver que se tu não te controla, perde fácil fácil umas boas horas em cada banca. Tentando aproveitar ao máximo nossa curta estada, tomamos um ônibus em direção a "la boca". Achamos que era bem tranquilo de ir a pé, mas todas as pessoas que nos deram informações, recomendaram-nos que não o fizéssemos. Disseram que a zona entre San Telmo e la Boca não era bonita, que era muito pobre e perigosa para turistas. O ônibus realmente cruzou algumas partes da cidade que certamente tem o que o governo argentino não faz a menor questão de mostrar. Passamos de longe pela "bombonera", mas como nem eu nem a Leandra gostamos de futebol, não fizemos questão de chegar mais perto.
Descemos na última parada, a algumas quadras do famoso "caminito". La Boca é uma parte muito interessante por todo o valor histórico do bairro. Imagens do Carlos Gardel estão espalhadas por todos os muros. Novamente, muitos quartetos tocando tango e bailarinos fazendo belíssimas performances em plena rua. O charme do local está nas casas coloridas construidas com chapas de zinco que lembram telhas brasilit. Pelo fato de ser um antigo porto, as casas eram construídas e pintadas com restos de materiais utilizados nas reformas e pinturas dos barcos. De uma forma geral, o caminito é uma espécie de "favela pra inglês ver". Tudo perfeitamente seguro e vigiado, as cores e espetáculos se apropriam da pobreza para fazer um atrativo diferente, especialmente pra turistas que vem de lugares ricos - apesar do canal ser podre de sujo e feder muito. Não conheço o Pelourinho na Bahia, mas acredito que existe uma certa semelhança nas duas propostas de vitalização de áreas urbanas.O passeio no caminito é jogo rápido, em uma hora ou duas se vê tudo, a não ser que se queira gastar uma grana em lembrancinhas e traquitanas pra enfeitar a casa e dar de presente. Nesse caso é um prato cheio.
A fome já batia e nada do que víamos pra comer em la bocva parecia muito apetitoso. Tomamos o mesmo ônibus de volta para San Telmo, onde havíamos visto trocentas parrilladas bacanas, mas uma em especial, bem barata - 30 pesos por casal. Já lá dentro, resolvi perguntar o que vinha na tal parrillada, visto que a Leandra não tinha assim tanta curiosidade em conhecer as carnes "exóticas". O garçom antes de tudo me perguntou de onde eu vinha. Respondi e e ele fez questão de dizer que brasileiros raramente comem alguma coisa da parrillada por serem partes de cheiro e gosto muito fortes, como rim, intestino e outras coisas que tinham nomes estranhos e ninguém sabia me dizer o que eram em português. Decidimos simplificar e optamos por um pedaço de vacio, provoletas e uma massa ao pesto, que não estavam assim sensacionais, mas cumpriram seu papel.
Panças cheias, voltamos para o hotel. Lá demos uma descansada e por volta de dez horas da noite fomos ao belíssimo show de tango do "La Cumparsita", tradicional casa localisada na Calle Chile, nº 302 em San Telmo. Escolhemos esta casa justamente pelo fato do show não ser tando direcionado a turistas e não ter a característica de espetáculo à broadway, mas sim por ser um lugar onde os próprios argentinos iriam pra curtir boa musica e dançar. Os valores de todas as casas de tango que vimos ou lemos a respeito não eram nada baratos, e o La Cumparsita não era diferente. Pagamos 90 pesos para cada, com direito a escolher entre uma garrafa de vinho, uma de champagne ou duas cervejas "porrón" (long neck) para cada. Optamos pelas cervejas que vieram acompanhadas de sanduiches. O show acompanhado de janta e bebida à vontade, saía por 120 pesos por pessoa.
Apesar de tudo, digo que cada centavo vale a pena pra ver o pequeno grupo de músicos (piano, acordeon e contrabaixo) e os 3 "crooners" sensacionais - cada um de uma geração bem diferente e com seu estilo próprio. Lá pela terceira música, entrou o casal de bailarinos mostrando seus belíssimos passos. Eu já sabia que corria o risco de ter que participar, mas realmente não esperava que viessem tão rápido à nossa mesa. Convidaram-nos para aprender os passos básicos e eu com vergonha logo disse que não queria. Surpreso fiquei ao perceber que enquanto negava o convite, lá estava a Leandra girando pelo salão. Só mais adiante, depois de ver todos os visitantes da casa experimentarem, resolvi aceitar o convite e arriscar alguns passos. Nossa, como é difícil. Não consegui parar de olhar para os meus pés e os pés da moça que me conduzia cheia de firulas que mais atrapalhava do que ajudava. A Leandra dava risada porque dancei com ginga, meio brasileiro demais pra uma dança em que a postura é tudo.
De forma geral, a noite no Cumparsita foi muito massa e recomendo muito quem estiver em Buenos Aires que vá conhecer a casa. O show tinha previsão de rolar até por volta de 3 da manhã, mas lá pelas 2 tocaram algumas milongas e o cansaço bateu. Fomos tranquilamente a pé para o hotel, felizes pelo que foi o nosso dia mais corrido de toda a viagem.
quinta-feira, 5 de março de 2009
Dia 3 - puerto madeiro, café tortoni e chuva
Acordamos tarde e perdemos o café da manhã. Demos uma boa lida no nosso guia e planejamos o que faríamos no dia. Aliás, a melhor dica pra quem vai viajar e quer conhecer muitos lugares em um tempo muito restrito é ter um guia bem completo.
O dia estava bem nublado e caía uma garoa chata estilo pelotense, mas mesmo nessas condições resolvemos caminhar até o Puerto Madeiro. Mesmo com tempo nublado, pode se dizer que o lugar tem um belo charme e é uma área revitalizada que dá muitas idéias do que fazer em algumas cidades brasileiras - especialmente no quadrado em Pelotas. O Puerto Madeiro compunha as docas de Buenos Aires, com 4 diques imensos onde chegavam os navios cargueiros. Os diques viraram o "rio sena" da cidade e os depósitos se transformaram em vários restaurantes chiques e tradicionalíssimos bistrôs de happy hour. Por causa do mau tempo, estava tudo meio vazio e bateu uma vontade de voltar lá em algum outro dia mais ensolarado.
Nos tais diques, encontram-se 2 navios históricos atracados. Visitamos o Buque Museo Fragata Sarmiento Juana M. Gorriti, localizado no dique 3. Entramos por acaso e não pagamos um centavo para entrar - e mesmo não planejada, foi uma visita válida. A fragata foi usada como aulas instrutivas de novos marinheiros e cruzou o mundo por diversas vezes. Lá dentro, pode-se conhecer muito da vida dos tripulantes nesse período: a cabine do capitão, os quartos, a cozinha e a claustrofóbica casa de máquinas. Bem interessante e recomendado.
Saindo da fragata, logo de frente, estava a Puente de la Mujer, com um design moderníssimo, obra do arquiteto espanhol Santiago Calatrava, a ponte gira 90º para a passagem de barcos. Dizem que o nome da ponte vem da semelhança da mesma com a silhueta da figura feminina... pessoalmente eu não enxerguei nada disso - mesmo tendo um desenho meio orgânico e cheio de curvas... coisas de designer.
Boa dica é visitar no Puerto o quiosque de informações turísticas - lá nos forneceram mapas e instruções de ônibus e metrô. Caminhamos por várias horas e a fome já começava a bater. Os restaurantes do lugar, todos são de dar água na boca - os cardápios estão na porta pra quem quiser ver - mas são também, todos de doer o bolso. Escolhemos tapar o sol com a peneira e comemos um magnífico sorvete da Freddo, tradicional marca de "helados argentinos". Recomendo muitíssimo o sabor chocolate con almendras! Lembrei que na sorveteria tinha um bando de brasileiros com uma falta de educação absurda, tomando nosso lugar na fila e fazendo um alarde pra servir uma familia de uns 8 filhos...
Deixamos o Puerto Madeiro e saímos caminhando meio sem rumo, distanciando-nos cada vez mais em direção oposta aos diques. Por acaso acabamos chegando na famosa Casa Rosada e a Plaza de Mayo. Lá não vimos nenhuma das famosas mães, mas vimos muitos protestos pintados no chão sobre pessoas assassinadas pela policia e também um acampamento de veteranos da guerra das Malvinas não oficializados pelo governo. Não sei se é uma questão cultural, mas sempre enxerguei o povo argentino mais participativo e ativo no que toca a política e questões sociais. A Casa Rosada honestamente, não me chamou muita atenção - mas achei bastante interessante saber que o nome e a cor vem da primeira pintura do edifício, onde foi usado sangue de gado misturado a cal.
Ainda sob garoa, tomamos a avenida de mayo e fomos até o Café Tortoni. Mesmo com tantas recomendações, eu não esperava encontrar um lugar tão legal. 150 anos de tradição, o lugar respira boemia e história - a memória e cultura da Argentina estão ali. O Garcia Lorca frequentava o café! O ambiente é muito bacana e ao fundo, tem uma sala fechada que leva a um pequeno auditório onde ocorrem shows de tango no decorrer do dia. O café/capuccino mata a pau. Recomendo muito a "hamburguesa con quezo", eu ainda salivo ao pensar no sabor daquele hamburguer de dois dedos de largura. Ficamos lá um tempo, rimos com o garçon sarcástico e curtimos com os vários idiomas falados à nossa volta.
Nos encaminhamos para o hotel de metrô, que não sei porque estava gratuito naquele dia. Chegando lá relaxamos um pouco e nos arrumamos pra sair de novo. O plano era ir de metrô até Palermo curtir os bares da Plaza Serrano, mas acabamos saindo além das 10 da noite e o jeito foi procurar um ônibus. Na parada, a leve garoa começou a se transformar em temporal. Aguardamos por mais de meia hora o ônibus 95 e na entrada percebemos a rateada. Em Buenos Aires só se pega ônibus com moedinhas contadas. Não existe cobrador, apenas um caixa que só recebe moedas. Por sorte um argentino amigável trocou uma nota de 2 pesos. O segundo problema era onde descer, pois com a chuva incessante, mal se enxergava qualquer referência. O motorista acabou nos dando uma dica meio furada e descemos na praça do Jardim Botânico, que fica umas boas quadras de nosso destino. O jeito foi correr e se esconder debaixo das marquises.
Pés molhados, roupa encharcada. Estávamos com tanto frio que nem escolhemos muito o bar onde ficaríamos. Dentre os tantos pegamos o primeiro que tinha uma mesinha vaga e parecia quente. Bacana o bar, chamado Cronico - lembrou bastante o Ossip de Porto Alegre, cheio de pôsteres de cinema e uma decoração bacana. Pena que as pilhas da câmera acabaram e não fizemos uma foto do lugar (mas clicando no link acima dá pra conhecer).
Ali ficamos por não mais que duas horinhas... tomamos uma jarra de chopp Quilmes, comemos uma porção de fritas e decidimos que realmente não era uma grande noite pra encarar uma balada. Pegamos um taxi para o hotel (20 pesos) e deixamos palermo para outro dia.
O dia estava bem nublado e caía uma garoa chata estilo pelotense, mas mesmo nessas condições resolvemos caminhar até o Puerto Madeiro. Mesmo com tempo nublado, pode se dizer que o lugar tem um belo charme e é uma área revitalizada que dá muitas idéias do que fazer em algumas cidades brasileiras - especialmente no quadrado em Pelotas. O Puerto Madeiro compunha as docas de Buenos Aires, com 4 diques imensos onde chegavam os navios cargueiros. Os diques viraram o "rio sena" da cidade e os depósitos se transformaram em vários restaurantes chiques e tradicionalíssimos bistrôs de happy hour. Por causa do mau tempo, estava tudo meio vazio e bateu uma vontade de voltar lá em algum outro dia mais ensolarado.
Nos tais diques, encontram-se 2 navios históricos atracados. Visitamos o Buque Museo Fragata Sarmiento Juana M. Gorriti, localizado no dique 3. Entramos por acaso e não pagamos um centavo para entrar - e mesmo não planejada, foi uma visita válida. A fragata foi usada como aulas instrutivas de novos marinheiros e cruzou o mundo por diversas vezes. Lá dentro, pode-se conhecer muito da vida dos tripulantes nesse período: a cabine do capitão, os quartos, a cozinha e a claustrofóbica casa de máquinas. Bem interessante e recomendado.Saindo da fragata, logo de frente, estava a Puente de la Mujer, com um design moderníssimo, obra do arquiteto espanhol Santiago Calatrava, a ponte gira 90º para a passagem de barcos. Dizem que o nome da ponte vem da semelhança da mesma com a silhueta da figura feminina... pessoalmente eu não enxerguei nada disso - mesmo tendo um desenho meio orgânico e cheio de curvas... coisas de designer.
Boa dica é visitar no Puerto o quiosque de informações turísticas - lá nos forneceram mapas e instruções de ônibus e metrô. Caminhamos por várias horas e a fome já começava a bater. Os restaurantes do lugar, todos são de dar água na boca - os cardápios estão na porta pra quem quiser ver - mas são também, todos de doer o bolso. Escolhemos tapar o sol com a peneira e comemos um magnífico sorvete da Freddo, tradicional marca de "helados argentinos". Recomendo muitíssimo o sabor chocolate con almendras! Lembrei que na sorveteria tinha um bando de brasileiros com uma falta de educação absurda, tomando nosso lugar na fila e fazendo um alarde pra servir uma familia de uns 8 filhos...
Deixamos o Puerto Madeiro e saímos caminhando meio sem rumo, distanciando-nos cada vez mais em direção oposta aos diques. Por acaso acabamos chegando na famosa Casa Rosada e a Plaza de Mayo. Lá não vimos nenhuma das famosas mães, mas vimos muitos protestos pintados no chão sobre pessoas assassinadas pela policia e também um acampamento de veteranos da guerra das Malvinas não oficializados pelo governo. Não sei se é uma questão cultural, mas sempre enxerguei o povo argentino mais participativo e ativo no que toca a política e questões sociais. A Casa Rosada honestamente, não me chamou muita atenção - mas achei bastante interessante saber que o nome e a cor vem da primeira pintura do edifício, onde foi usado sangue de gado misturado a cal.
Ainda sob garoa, tomamos a avenida de mayo e fomos até o Café Tortoni. Mesmo com tantas recomendações, eu não esperava encontrar um lugar tão legal. 150 anos de tradição, o lugar respira boemia e história - a memória e cultura da Argentina estão ali. O Garcia Lorca frequentava o café! O ambiente é muito bacana e ao fundo, tem uma sala fechada que leva a um pequeno auditório onde ocorrem shows de tango no decorrer do dia. O café/capuccino mata a pau. Recomendo muito a "hamburguesa con quezo", eu ainda salivo ao pensar no sabor daquele hamburguer de dois dedos de largura. Ficamos lá um tempo, rimos com o garçon sarcástico e curtimos com os vários idiomas falados à nossa volta.Nos encaminhamos para o hotel de metrô, que não sei porque estava gratuito naquele dia. Chegando lá relaxamos um pouco e nos arrumamos pra sair de novo. O plano era ir de metrô até Palermo curtir os bares da Plaza Serrano, mas acabamos saindo além das 10 da noite e o jeito foi procurar um ônibus. Na parada, a leve garoa começou a se transformar em temporal. Aguardamos por mais de meia hora o ônibus 95 e na entrada percebemos a rateada. Em Buenos Aires só se pega ônibus com moedinhas contadas. Não existe cobrador, apenas um caixa que só recebe moedas. Por sorte um argentino amigável trocou uma nota de 2 pesos. O segundo problema era onde descer, pois com a chuva incessante, mal se enxergava qualquer referência. O motorista acabou nos dando uma dica meio furada e descemos na praça do Jardim Botânico, que fica umas boas quadras de nosso destino. O jeito foi correr e se esconder debaixo das marquises.
Pés molhados, roupa encharcada. Estávamos com tanto frio que nem escolhemos muito o bar onde ficaríamos. Dentre os tantos pegamos o primeiro que tinha uma mesinha vaga e parecia quente. Bacana o bar, chamado Cronico - lembrou bastante o Ossip de Porto Alegre, cheio de pôsteres de cinema e uma decoração bacana. Pena que as pilhas da câmera acabaram e não fizemos uma foto do lugar (mas clicando no link acima dá pra conhecer).
Ali ficamos por não mais que duas horinhas... tomamos uma jarra de chopp Quilmes, comemos uma porção de fritas e decidimos que realmente não era uma grande noite pra encarar uma balada. Pegamos um taxi para o hotel (20 pesos) e deixamos palermo para outro dia.
segunda-feira, 2 de março de 2009
Dia 2 - un becito
Acordamos bem cedo em Colônia, antes mesmo do sol raiar. Eu estava com uma preocupação típica do "seu roberto" e nessas minhas chatisses que a Leandra odeia de agilizar tudo cedo pra não ter stress, deixamos o terrível "el español". O problema era descobrir um cyber pra imprimir as passagens do Buque e encontrar um estacionamento confiável pra guardar o carro, já que este não cruzaria a fronteira pra Argentina.
Descobrimos também que a opção pela balsa não poderia ser mais acertada: os caminhoneiros argentinos estavam fazendo piquetes em função de uma crise da agricultura e haviam fechado quase todas as pontes de fronteiras do país - isso sem contar com o trânsito assustador de Buenos aires que fui conhecer logo depois.
Rodamos um bocado, tudo ainda fechado. Enfim, encontramos um galpão que dizia "estacionamento 24hs" e nos preparamos pra deixar tudo lá. Ficamos sabendo que é prática comum deixar o carro no Uruguai pra pegar a balsa, uma vez que ir de carro no buque é uma opção muito cara e o estacionamento cobrava em torno de 10 reais por dia. Felizmente o guarda do porto nos informou que passagens compradas pela internet não precisavam de comprovante impresso... bastava chegar lá com nome e passaporte. Nisso perdemos o café da manhã do hostel, que a julgar pelo lugar, não devia ser grandes coisas.
Mochilas nas costas, caminhamos até a estação do buque já aberta, despachamos tudo exatamente como em um vôo comum e aguardamos. Em função de horários a gente acabou pegando o barco mais rápido (e mais caro). Existe o que faz a travessia em 3 horas e o nosso que cruzou o Prata em apenas 1 hora. A viagem balsa é muito tranquila, após a "decolagem" abrem as portas de uma loja freeshop dentro do barco e nisso nem se vê a hora passar. Não compramos nada, mas experimentamos trocentos cacarecos, perfumes e chapéus.
Chegando em Buenos Aires, já na saída do terminal, me impressionei com os arranha-céus. A primeira impressão que se tem é de não estar na América do Sul. Achamos os taxis e apesar do que nos falaram do táxi barato, o taxista cobrou 20 pesos pra nos levar até o hotel q a Leandra tinha reservado pela internet - preço mais baixo do booking.com. Sem muita noção de distância pélo mapa, aceitamos. O desgraçado nem mesmo ligou o taxímetro. Chegamos no hotel Oxford, um prédio antiguíssimo em San Telmo - bairro bem tradicional da cidade - e pegamos um quarto no sexto andar ao lado dos elevadores de porta gradeada que faziam bum barulho infernal. Por sorte a Leandra já tinha experiência com esse tipo de problema e conseguimos numa boa trocar de quarto para a "cobertura" no 9º andar. O quarto era ótimo. Uma boa cama, banheira, espaçoso e com uma baita sacada. Lembrou muito o nosso hotel em Paris. Recomendo muito o hotel pelo preço e simpatia dos funcionários e pelo quarto - pelo menos esse da cobertura.
Não ficamos nem 10 minutos no quarto. A fome era mais forte que o cansaço, portanto descemos a procurar um bom lugar para comer. O bairro em que ficamos é muito bacana... cheio de cafeterias e parilladas bem tradicionais - mas como tínhamos o casamento logo à noite, resolvemos pegar leve. Achamos um botequim de esquina muitíssimo simpático e lá comemos o "almuerzo". Difícil é entender os nomes das coisas pra saber o que se está pedindo. Neste lugar comemos bem e barato - 19 pesos pelo almoço + sobremesa + café. Descobrimos bem rápido que pelo valor do dólar e pela crise, o preço de tudo estava muito alto e refeições por esse valor eram muito difíceis de achar. Depois disso não resistimos e fomos de volta pro hotel pra dar uma descansada pra recuperar da noite mal dormida.
Acordamos lá pelas 4 da tarde e nos arrumamos pro casório. A Leandra ficou estonteante e eu usei o meu tradicional terno preto. Uma van iria nos buscar no hotel Sheraton no centro e nos levaria até o local da festa, mais afastado de Buenos Aires. Pegamos novamente um taxi e comprovamos que o anterior realmente tinha nos passado a perna - com 12 pesos chegamos no centro, ainda mais distante que o terminal do buque. Lá encontramos mais brasileiros e entramos na van, que ainda foi até Palermo buscar outro pessoal. Nesse passeio até o outro lado da cidade deu pra ver muito de Buenos Aires que também me lembrou Paris, cheia de prédios antigos, praças imensas e rótulas com monumentos cedidos por algum país europeu.
Chegando no local do casamento, encontramos o Matias e soubemos que a van estava programada para buscar-nos de volta somente às 5 da manhã. Ficamos assustados, até porque ainda tinhamos um pouco de cansaço no corpo, mas o noivo me garantiu que a gente nem ia sentir as horas passarem. O lugar era lindo, tipo um clube campestre... tudo perfeitamente decorado.
A cerimônia na rua foi muito bonita... o padre, por sorte falou muito pouco, mas falou bem pelo que pude entender. En la salud o en la molestia... muito legal assistir tudo em espanhol. Ao final, o padre os declarou e graciosamente disse... "un becito".
No decorrer da festa fomos entendendo o funcionamento do casamento argentino. Na verdade se passa a noite inteira comento. Começaram com canapés às 7 da tarde, em seguida vem um garçom com uma perna de gado inteira fatiando "bifes" com mais de um dedo de espessura de presunto pra colocar em pãezinhos com molhos à escolha. O argentino tem essa cultura de comedor de carne extremamente forte - muito mais do que qualquer gaúcho. E no casamento vai ao extremo. O interessante é que não servem um prato atrás do outro. Servem a entrada (um maravilhoso crep de espinafre), depois apagam as luzes e aumentam o som. Todo mundo é convidado a ir dançar. Dança-se uma meia hora, ou mais, acendem as luzes e servem o segundo prato - um filé gigantesco acompanhado de uma trouxinha que eu nem soube identificar - e assim por diante, terminando lá pelas 6 da manhã, com um absurdo café cheio de medialunas argentinas, brioches e mais "bifes" de presunto. A Leandra, tadinha, chegou a passar mal e lá pelas 4 já estávamos pedindo arrego aguardando o retorno da van.
Mas não teve jeito... negócio foi esperar até as 6 e capotar no hotel.
(tem muitas fotos da viagem no flickr agora!!!)
Descobrimos também que a opção pela balsa não poderia ser mais acertada: os caminhoneiros argentinos estavam fazendo piquetes em função de uma crise da agricultura e haviam fechado quase todas as pontes de fronteiras do país - isso sem contar com o trânsito assustador de Buenos aires que fui conhecer logo depois.
Rodamos um bocado, tudo ainda fechado. Enfim, encontramos um galpão que dizia "estacionamento 24hs" e nos preparamos pra deixar tudo lá. Ficamos sabendo que é prática comum deixar o carro no Uruguai pra pegar a balsa, uma vez que ir de carro no buque é uma opção muito cara e o estacionamento cobrava em torno de 10 reais por dia. Felizmente o guarda do porto nos informou que passagens compradas pela internet não precisavam de comprovante impresso... bastava chegar lá com nome e passaporte. Nisso perdemos o café da manhã do hostel, que a julgar pelo lugar, não devia ser grandes coisas.
Mochilas nas costas, caminhamos até a estação do buque já aberta, despachamos tudo exatamente como em um vôo comum e aguardamos. Em função de horários a gente acabou pegando o barco mais rápido (e mais caro). Existe o que faz a travessia em 3 horas e o nosso que cruzou o Prata em apenas 1 hora. A viagem balsa é muito tranquila, após a "decolagem" abrem as portas de uma loja freeshop dentro do barco e nisso nem se vê a hora passar. Não compramos nada, mas experimentamos trocentos cacarecos, perfumes e chapéus.
Chegando em Buenos Aires, já na saída do terminal, me impressionei com os arranha-céus. A primeira impressão que se tem é de não estar na América do Sul. Achamos os taxis e apesar do que nos falaram do táxi barato, o taxista cobrou 20 pesos pra nos levar até o hotel q a Leandra tinha reservado pela internet - preço mais baixo do booking.com. Sem muita noção de distância pélo mapa, aceitamos. O desgraçado nem mesmo ligou o taxímetro. Chegamos no hotel Oxford, um prédio antiguíssimo em San Telmo - bairro bem tradicional da cidade - e pegamos um quarto no sexto andar ao lado dos elevadores de porta gradeada que faziam bum barulho infernal. Por sorte a Leandra já tinha experiência com esse tipo de problema e conseguimos numa boa trocar de quarto para a "cobertura" no 9º andar. O quarto era ótimo. Uma boa cama, banheira, espaçoso e com uma baita sacada. Lembrou muito o nosso hotel em Paris. Recomendo muito o hotel pelo preço e simpatia dos funcionários e pelo quarto - pelo menos esse da cobertura.Não ficamos nem 10 minutos no quarto. A fome era mais forte que o cansaço, portanto descemos a procurar um bom lugar para comer. O bairro em que ficamos é muito bacana... cheio de cafeterias e parilladas bem tradicionais - mas como tínhamos o casamento logo à noite, resolvemos pegar leve. Achamos um botequim de esquina muitíssimo simpático e lá comemos o "almuerzo". Difícil é entender os nomes das coisas pra saber o que se está pedindo. Neste lugar comemos bem e barato - 19 pesos pelo almoço + sobremesa + café. Descobrimos bem rápido que pelo valor do dólar e pela crise, o preço de tudo estava muito alto e refeições por esse valor eram muito difíceis de achar. Depois disso não resistimos e fomos de volta pro hotel pra dar uma descansada pra recuperar da noite mal dormida.
Acordamos lá pelas 4 da tarde e nos arrumamos pro casório. A Leandra ficou estonteante e eu usei o meu tradicional terno preto. Uma van iria nos buscar no hotel Sheraton no centro e nos levaria até o local da festa, mais afastado de Buenos Aires. Pegamos novamente um taxi e comprovamos que o anterior realmente tinha nos passado a perna - com 12 pesos chegamos no centro, ainda mais distante que o terminal do buque. Lá encontramos mais brasileiros e entramos na van, que ainda foi até Palermo buscar outro pessoal. Nesse passeio até o outro lado da cidade deu pra ver muito de Buenos Aires que também me lembrou Paris, cheia de prédios antigos, praças imensas e rótulas com monumentos cedidos por algum país europeu.Chegando no local do casamento, encontramos o Matias e soubemos que a van estava programada para buscar-nos de volta somente às 5 da manhã. Ficamos assustados, até porque ainda tinhamos um pouco de cansaço no corpo, mas o noivo me garantiu que a gente nem ia sentir as horas passarem. O lugar era lindo, tipo um clube campestre... tudo perfeitamente decorado.
A cerimônia na rua foi muito bonita... o padre, por sorte falou muito pouco, mas falou bem pelo que pude entender. En la salud o en la molestia... muito legal assistir tudo em espanhol. Ao final, o padre os declarou e graciosamente disse... "un becito".
No decorrer da festa fomos entendendo o funcionamento do casamento argentino. Na verdade se passa a noite inteira comento. Começaram com canapés às 7 da tarde, em seguida vem um garçom com uma perna de gado inteira fatiando "bifes" com mais de um dedo de espessura de presunto pra colocar em pãezinhos com molhos à escolha. O argentino tem essa cultura de comedor de carne extremamente forte - muito mais do que qualquer gaúcho. E no casamento vai ao extremo. O interessante é que não servem um prato atrás do outro. Servem a entrada (um maravilhoso crep de espinafre), depois apagam as luzes e aumentam o som. Todo mundo é convidado a ir dançar. Dança-se uma meia hora, ou mais, acendem as luzes e servem o segundo prato - um filé gigantesco acompanhado de uma trouxinha que eu nem soube identificar - e assim por diante, terminando lá pelas 6 da manhã, com um absurdo café cheio de medialunas argentinas, brioches e mais "bifes" de presunto. A Leandra, tadinha, chegou a passar mal e lá pelas 4 já estávamos pedindo arrego aguardando o retorno da van.
Mas não teve jeito... negócio foi esperar até as 6 e capotar no hotel.
(tem muitas fotos da viagem no flickr agora!!!)
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