De uns 3 ou 4 anos pra cá, aprendi e criei gosto por cozinhar. Lentamente perdi o medo de queimar, estragar e errar na cozinha. Quando saí de casa, não fazia nem arroz, mas isso tinha que mudar. Hoje sei pelo menos por onde começar - é muito bom descobrir aos poucos alguns segredos, truques e manhas. Põe vinagre na caneca antes de ferver o ovo, pra não marcar. Unta a forma antes de pôr a massa. Um fio de mostarda pra dar mais sabor ao molho.
Melhor coisa que tem pra mim, é ver a geladeira cheia e ir tirando e inventando coisas pra preparar. Tudo acompanhado de uma boa cerveja, tornando o processo num agradável ritual.
Dia desses, fomos fazer uma comida das mais caseiras. Batata e cenoura com guisado, arroz e feijão. Coisa boa é aquele ranguinho com gosto de casa. Confortante. Me lembrou a comida de minha mãe... lembrou também a comida da dona Marina, que trabalhou como empregada na casa de meus pais durante praticamente toda a minha infância e adolescência. Aquela pessoa meio negra de olhos claros, querida e com toda a sua humanidade e humildade é certamente, junto de minha família, uma grande responsável por eu ser o que sou hoje.
Pensando nela, comecei a me dar conta de como deve ser difícil a vida nesse tipo de emprego. Escolher temperos, cortar os legumes, bolar um cardápio, cozinhar... pra mim é um prazer. Mas daí a virar obrigação, deve ser um saco - sem contar o "limpar a casa" e "ficar de olho nas crianças até a patroa chegar". TODOS os dias.
A Marina já se foi fazem alguns bons anos, bem depois de já estar aposentada. Ficamos sabendo da morte dela muito depois do enterro. Ela, junto de alguns bons professores que tive, tem um lugar marcado nas minhas boas lembranças de infância e na formação do meu caráter.
É bom lembrar daqueles que fizeram parte de minha vida. Lembrar daqueles que fazem o que ninguém quer fazer. Melhor ainda é encontrar essas lembranças e histórias em momentos inesperados e atos aleatórios, como na última receita daquele livro velho com anotações de culinária.
quarta-feira, 20 de agosto de 2008
quarta-feira, 6 de agosto de 2008
Arte
Recomendo a todo mundo que está em Porto Alegre a passar em algum momento no instituto goethe pra conferir a exposição de um artista, amigo e louco, Ricardo Mello. O trabalho do cara é sensacional. Resumindo muito toscamente, ele pinta pixel a pixel com tinta acrílica, ampliações de fotos tiradas da TV. O resultado é muito legal (dá pra ver um detalhe no folder abaixo) - mas só vendo ao vivo pra ter uma noção do trabalho do cara. Lá estão expostas 3 pinturas que levaram juntas 3 anos de execução.
Exposição RicardoMello - PINTURAS
============ ========= =========
Instituto Goethe
Rua 24 de Outubro, 112
ABERTURA
05 de agosto/2008 - 19h30min
VISITAÇÃO
06 a 30 de agosto
de segunda a sexta, das 10h às 20h e nos sábados das 10 às 12h30min
"Não é plotagem, tampouco fotografia. Ricardo Mello transpõem imagens do vídeo para tela, com pinceladas mínimas e delicadas, reencarnando-as. Suas pinturas são um exercício minucioso de desacelerar o tempo, concedendo ao fragmento fílmico, a aura perdida. "
Luiza FN Carvalho
Exposição RicardoMello - PINTURAS
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Instituto Goethe
Rua 24 de Outubro, 112
ABERTURA
05 de agosto/2008 - 19h30min
VISITAÇÃO
06 a 30 de agosto
de segunda a sexta, das 10h às 20h e nos sábados das 10 às 12h30min
"Não é plotagem, tampouco fotografia. Ricardo Mello transpõem imagens do vídeo para tela, com pinceladas mínimas e delicadas, reencarnando-as. Suas pinturas são um exercício minucioso de desacelerar o tempo, concedendo ao fragmento fílmico, a aura perdida. "
Luiza FN Carvalho
terça-feira, 5 de agosto de 2008
johnny e as gírias
Assisti recentemente ao filme "meu nome não é johnny".
Putz, essa Cléo Pires é uma farsa e o Selton Mello já fez trabalhos melhores. Justamente por considerá-lo um dos atores mais bacanas dessa geração, criei expectativas e o achei bem fraquinho. Se é pra ser cômico, continuo com a atuação dele em "O cheiro do ralo" - um dos filmes mais originais e divertidos que o cinema nacional produziu nos últimos anos. E se é pra ser dramático, fico com a atuação dele em Lavoura Arcaica, o melhor filme nacional de todos os tempos.
As únicas coisas legais que aprendi vendo "Meu nome não é Johnny" foram as expressões e gírias como A CHINELA VAI CANTAR e RACHAR A BRIZOLA, entre muitas outras.
Estou só esperando o momento certo pra usar estas expressões no meu cotidiano. Ou não. Já que são expressões usadas em coisas que não costumo fazer: dar "uma sumanta de laço" em alguém e praticar o "karatê boliviano".
Putz, essa Cléo Pires é uma farsa e o Selton Mello já fez trabalhos melhores. Justamente por considerá-lo um dos atores mais bacanas dessa geração, criei expectativas e o achei bem fraquinho. Se é pra ser cômico, continuo com a atuação dele em "O cheiro do ralo" - um dos filmes mais originais e divertidos que o cinema nacional produziu nos últimos anos. E se é pra ser dramático, fico com a atuação dele em Lavoura Arcaica, o melhor filme nacional de todos os tempos.
As únicas coisas legais que aprendi vendo "Meu nome não é Johnny" foram as expressões e gírias como A CHINELA VAI CANTAR e RACHAR A BRIZOLA, entre muitas outras.
Estou só esperando o momento certo pra usar estas expressões no meu cotidiano. Ou não. Já que são expressões usadas em coisas que não costumo fazer: dar "uma sumanta de laço" em alguém e praticar o "karatê boliviano".
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