Quem me conheceu há algum tempo sabe e pode confirmar que eu já fui uma pessoa muito criativa. Houve épocas em que eu atualizava o fotolog diariamente com montagens bacanas e experimentais, tocava bateria todos os fins de semana, e estava constantemente melhorando - me atualizando, estudando, praticando, entendendo. Resolvi até fazer um blog pra também tentar exercitar e melhorar minha escrita.
Também já fui uma pessoa divertida. Apesar das piadas referentes ao "smurf ranzinza" na faculdade, sempre tive muito bom humor. Costumava ser dinâmico - no primeiro ano do Design, enquanto todos faziam belos trabalhos no corel, eu recortava rodelas de papel preto e, espirituoso, aceitava numa boa a minha falta de talento, inventando até um conceito para me esconder.
Tinha planos. Trabalhar, aprender a fazer design de verdade, estudar, fazer mestrado. Queria chegar aos pés de alguns colegas que eu admirava. Queria fazer arte, viajar mesmo. Não queria me vender pra cliente pobre e sem cultura, e por isso me propus a sair de Pelotas. O que eu queria, no fim das contas, era imitar David Carson ou Dave McKean, mas pra isso, eu precisava de muitas horas fazendo trabalhos que eu não queria. Precisava ser um empregado. Precisava ter a minha casa e o meu dinheiro garantido todo o mês. Me juntei aos meus amigos do CDM para tentar provar, sem sucesso, para mim e para todos que eu já não era uma enganação, que a "pork art" da faculdade estava com os dias contados. Tentei criar algumas peças autorais. Acho até que algumas delas ficaram decentes.
Mas em algum ponto de minha vida, eu estacionei.
Não quero mais nada disso. Não faço a menor questão de aprender e me tornar um profissional melhor.
Já trabalhei numa agência furreca e medíocre debaixo das arquibancadas do Pelotas pra ter certeza de que isso é o que eu não quero.
Já trabalhei fazendo multimídias para indústrias prósperas e destruidoras do meio-ambiente em Joinville pra não ter dúvida alguma de que isto é o que eu não quero.
Já trabalhei diagramando e criando anúncios ridículos para uma revista de fofoca igualmente ridícula pra conhecer pessoas com as quais, hoje sei, jamais devo me meter.
Já fiz arte-final em uma das maiores empresas de publicidade do Estado para estar ciente de que esta vida não é pra mim e que a publicidade é o ramo mais imbecil que eu poderia ter escolhido.
Já fiz trocentos sites de internet em uma empresa horrorosa que, ironicamente, proibe navegar na internet. Prazos de um dia seguindo padrões horrorosos e limitadores para clientes de fundo de quintal. Ao analisar no meu portfolio, constato com certeza mais um serviço não quero.
Porque, deveria eu então, buscar o meu melhoramento? Pela primeira vez em minha vida, não sei pra onde ir. Tudo o que eu tinha planejado foi por água abaixo. Todas essas experiências não me tornaram melhor em NADA. O mau humor foi a única qualidade que adquiri, e posso dizer com testemunhas oculares, que nisto eu estou ficando craque.
Fazer mestrado para seguir neste ramo de merda pra mim se tornou uma perda de tempo. Fazer trabalhos artísticos e autorais se tornou um sonho distante. Não tenho mais tempo e nem paciência. Tudo hoje pra mim tem um senso de urgência, eu não começo nada que não traga melhoras a curto prazo, tudo está correndo rápido demais. Eu me canso rápido de tudo. Aliás, eu ando sempre com a maldita tríade do cansaço, sono e dor. Eu olho no espelho e vejo meu pai. Arte hoje pra mim é um incompreensível e distante papo-cabeça numa mesa de boteco que eu faço questão de interromper antes que eu caia no sono.
Satisfação pessoal e trabalho são os opostos que não se atraem.
Hoje, eu me sinto a maior frustração da face da terra.
terça-feira, 14 de março de 2006
quarta-feira, 8 de março de 2006
Dia internacional
Eu não sou mulher. Mas se fosse, odiaria tanto essa bobagem de "dia internacional" quanto sendo homem.
Como qualquer outro desses dias comemorativos, pra mim soa como uma forma da pedir desculpas por todos os anos anteriores de repressão e tragédias (1911, mulheres americanas queimadas... aquela coisa que todo mundo já sabe). Aliás, anos anteriores uma ova... o dia internacional da mulher funciona como desculpa pelo resto do ano de repressões.
É um dia simbólico pra dar uma flor, enquanto os outros 364 dias, se cobra, exige, espanca, ridiculariza, caçoa, aproveita, estupra, mata.
Datas específicas comemorativas são feitas para amansar a minoria (e geralmente são criadas por uma porção da maioria que sentiu pena, que se "sensibilizou"). Alguém já viu o dia internacional do orgulho hetero? Ou dia internacional do homem?? Não e nem acho que alguém precise desses dias, assim como do dia internacional da mulher.
Todos os dias são das mulheres. Todos os dias elas merecem flores e presentes. Mulher sofre pra caralho. Homem sofre pra caralho.
No dia 8 de março se reforça toda essa ladainha de igualdade. Mas reforça com papo-furado totalmente limitado... coisa que as massas adoram.
Em tempo: alguém aí já viu o episódio do chaves no dia internacional da mulher?? hehehe, é ótimo.
Como qualquer outro desses dias comemorativos, pra mim soa como uma forma da pedir desculpas por todos os anos anteriores de repressão e tragédias (1911, mulheres americanas queimadas... aquela coisa que todo mundo já sabe). Aliás, anos anteriores uma ova... o dia internacional da mulher funciona como desculpa pelo resto do ano de repressões.
É um dia simbólico pra dar uma flor, enquanto os outros 364 dias, se cobra, exige, espanca, ridiculariza, caçoa, aproveita, estupra, mata.
Datas específicas comemorativas são feitas para amansar a minoria (e geralmente são criadas por uma porção da maioria que sentiu pena, que se "sensibilizou"). Alguém já viu o dia internacional do orgulho hetero? Ou dia internacional do homem?? Não e nem acho que alguém precise desses dias, assim como do dia internacional da mulher.
Todos os dias são das mulheres. Todos os dias elas merecem flores e presentes. Mulher sofre pra caralho. Homem sofre pra caralho.
No dia 8 de março se reforça toda essa ladainha de igualdade. Mas reforça com papo-furado totalmente limitado... coisa que as massas adoram.
Em tempo: alguém aí já viu o episódio do chaves no dia internacional da mulher?? hehehe, é ótimo.
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